quinta-feira, 20 de abril de 2017

Neerja (2016)



Me pergunto: do que um filme precisa para ser bom?

Acho que a resposta é que aquele filme que causa um impacto e deixa uma impressão, cria um marco, aquele será um filme bom. É claro que o que é bom é uma definição subjetiva, sim. Ainda assim, definitivamente um filme bom tem impacto.

Como Neerja.

Estou surpresa até agora. Sonam Kapoor, a fashionista, a jovem mimada que obviamente só está no ramo por nepotismo (parafraseando srta. Ranaut), fazendo um trabalho que preste? Pois sim, meus caros. São prenúncios de uma nova era, ao que parece.

Atuando bem, que emoção. 

A história do filme é baseada num atentado terrorista que realmente ocorreu, sob a visão de sua vítima mais famosa, Neerja Bhanot. Neerja era uma jovem doce e determinada, gente como a gente, com uma experiência prévia de casamento fracassado e uma família unida e amorosa; moça muito bonita, que trabalhava como modelo e aeromoça.

Em seu primeiro dia como chefe de cabine da empresa Pan Am, algo deu muito errado. Terroristas invadiram o avião, disfarçados de funcionários do aeroporto, no intuito de sequestrar a aeronave e trocar a vida dos reféns por cúmplices que estavam presos em outro país. Daí por diante, a história só desce ladeira abaixo. Conhecemos o final.

O filme também nos traz um lado emocional da visão
Essa mãe sofreu o
que nenhuma deveria. 
familiar de Neerja, com a incrível Shabana Azmi no papel de sua mãe. Os atores que retratam os criminosos também são extremamente convincentes. E Neerja, impecável. Nós nos convencemos de quem ela é, de seus sentimentos, de suas atitudes. Não há mais a hesitação de uma atriz que queria ser criança, e sim a confiança de alguém que embarcou na vivência do personagem. O Tocantins inteiro para Sonam Kapoor, dessa vez.

(E prometi à Deewaneando que, talvez, só talvez, admitisse que ela tinha razão em enxergar futuro na moça. Só talvez.)

Apesar da felicidade de ter assistido ao filme em rede nacional (no SAP e com legendas! Poderia chorar só da emoção!), o filme deixou um gosto amargo na boca. Um peso no coração. Ao final, eu não conseguia deixar de pensar: humanidade, por que faz isso? Senti tristeza. Senti pesar. Senti o impacto do que é viver o terrorismo como uma ameaça real. Me senti mal pelo oriente. Pelo ocidente. Por todas as maldades, pequenas ou grandes, que cometemos para com o próximo todos os dias. Fui colocar uma trilha sonora e ela não me caiu bem. Precisei me lembrar de quem eu era e de mim mesma. Pensar em criar um mundo melhor.

Pode soar desconexo, mas é o tipo de impacto que creio que um filme cause na gente. E Neerja, definitivamente, é esse tipo de filme.