quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Highway (2015)


Veera Tripathi é uma jovem rica às vésperas do seu casamento, mas não parece muito feliz com a situação. Uma bela noite, implora a seu noivo para que a leve a um passeio secreto, e ele, sob protestos, cede. Mas, como nada é perfeito, ela repentinamente vai parar no meio de um fogo cruzado de assaltantes de estrada e acaba sendo sequestrada pela gangue.

Já no seio da gangue, quando descobrem quem ela é, e filha de quem, é consenso que o melhor a fazer seja libertá-la. Mahabir Bhati, porém, sem maior desejo além do de enfrentar a própria sorte - ou revés -, resolve que a manterá cativa e tentará o melhor resgate que puder conseguir disso. Como ele mesmo diz, não há muito o que perder em sua vida de qualquer forma.

"Amor da minha vida, daqui até a eternidade..."

Parafraseando a Carol: "Tive medo de não acontecer a mesma identificação [que ocorre em outros filmes do mesmo diretor] quando li a sinopse de Highway. Parecia a história de alguém se descobrindo enquanto desenvolvia uma horrorosa síndrome de Estocolmo". Entretanto, Highway passa longe dessa impressão.

Logo de começo nota-se que Veera esconde algo por trás dos panos. Ela facilmente enlouquece, se rebela e se enquadra ao bando. Parece muito disposta a deixar para trás a vida que levava antes, uma vida de aparente conforto, luxo e riqueza. E por quê? Ao mesmo tempo, tenta aproximar-se sempre de Mahabir, que a rejeita veementemente todas as vezes, muito consciente de quem ele é e qual seu lugar na sociedade - lugar esse que sempre foi e sempre será muito distante do dela.

Nunca foi tão divertido ser sequestrada.
Mahabir é o exato retrato do anti-herói que, em situações adversas, poderia facilmente ser o mocinho. É um personagem completo e complexo, e eu, no auge do meu penhasco por Randeep, não posso deixar de admirar a forma como foi interpretado. Seus sorrisos chegaram bem fundo na minha alma, e sua ira doía também em mim. Já Veera é uma jovem desequilibrada que, no entanto, durante essa jornada parece mais próxima da própria harmonia do que jamais esteve antes. Quem esperaria que a jovem patricinha de Student of the Year chegaria tão longe e conseguiria levar a cabo com maestria uma personagem tão multifacetada quanto Veera? Bem, Alia conseguiu.

Como mãe, o filme mexeu comigo: que tipo de sociedade quero deixar para meus filhos? Que tipo de mudanças quero ver e por quais situações não desejo que eles passem? Quais impactos comportamentais tão arraigados à sociedade podem ser extremamente negativos pelo resto de nossas vidas que nem ao menos percebamos? O filme toca certeiro no machismo e na cultura de estupro do dia a dia que muitas vezes é silenciada, neutralizada e tida como normal. E eu, enquanto mãe, realmente senti mais a fundo essa questão que já é forte, especialmente pela forma como é posta no filme. É de uma sensibilidade que jamais se esperaria de um filme indiano.


A trilha sonora é pouco notável, mas condizente com o filme. É leve, ecreio que por isso cumpra seu papel. Impossível ter um musical esplêndido com tantas coisas para se refletir no filme. Seria informação demais.

As legendas também estavam excelentes! Às vezes é difícil encontrar legendas tão boas em português para muitos filmes, por isso assisto a diversos em inglês, mas a de Highway, feita pela Bela Xavier, está de parabéns.

Portanto, o que posso dizer é: deixe seus dias leves para ver filmes leves. Highway é um filme que o fará pensar, e não é pouco. Foi capaz de me deixar triste e saudosa no final. Mas é maravilhoso do começo ao fim e posso dizer que já está na lista dos meus favoritos.

Lágrimas, muitas lágrimas.
Mahabir, te amo.

3 comentários:

  1. Ah, que felicidade ver sua aprovação! Randeep é realmente um ator excelente não? Highway parte o coração da gente. Com a situação da Veera, com a situação do Mahabir. E que família era aquela? Embora eu saiba que é bastante comum não consigo deixar de me chocar. Algumas pessoas não conhecem o conceito de família. Alguns pais não deveriam ser permitidos ter filhos. Lindo filme.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ele é demais! E a Alia provou que é demais também! A família foi caricata, mas não é assim que as coisas funcionam debaixo dos panos? Filme maravilhoso. <3

      Excluir
  2. Adorei o seu ponto de vista de mãe no texto. Por meio da Meera e do Mahabir ficou muito clara a ideia de que as marcas da criação são levadas para sempre e que você pode precisar de muito tempo, pessoas e experiências para conseguir livrar-se delas. Eu vi esse filme duas vezes, escrevi sobre a ainda tenho dificuldades de falar a respeito. Acho que sempre vai doer.

    ResponderExcluir

O que achou desse post?