quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Lootera (2013)


Sabe, acho extremamente mais difícil falar de um filme do qual eu gostei do que de um filme que tenha desgostado. Pode dizer muito sobre minha personalidade, mas é muito mais simples encontrar palavras para causar um “bolly bully” como diria minha amiga Carol do que palavras elogiosas e pontos fortes de alguma coisa.

Resistir: é possível?
Estava para assistir a Lootera fazia um tempo, desde que o Ranveer se tornou meu bolly crush oficial, só não encontrava disposição, eu acho. Andei sem saco para assistir a qualquer coisa com mais de cinco minutos, nem os vídeos do youtube escaparam dessa. Então me sentei, percebi que não estava fazendo nada da vida e aproveitei para baixar e assistir ao filme.

Comecei a ver sem ter a mínima ideia de qual era a história, o que esperar. Sabia que era romance. Sabia que era com o Ranveer Singh e a Sonakshi Sinha. E ponto.

Logo de cara, já gostei dos cenários. Trazem um clima de Índia antiga, da colônia e com resquícios fortes do período. Lembrou-me incrivelmente de Parineeta: a casa senhorial, os corredores que se cruzam na arquitetura. Só o terreno que é incrivelmente maior que as casas do Shekhar e da Lolita juntas.

Somos introduzidos a Pakhi (Sonakshi Head Sinha), uma jovem doce muito apegada ao pai, um dono de terras. Uma das cenas iniciais é o pai, após um ataque forte de asma da filha, contando a bela história de um rei invencível cuja única fraqueza era um pássaro no qual sua alma vivia; se qualquer coisa ocorresse ao pássaro, ele morreria. O pássaro seria a filha, Pakhi, em sua vida. Estou materna e essa história trouxe lágrimas a meus olhos, juro.

Além de doce, Pakhi também é bastante voluntariosa, e começamos a perceber isso quando ela decide dirigir - muito mal e porcamente - o carro da família pelas estradas de suas terras e nessa brincadeira acaba batendo de encontro com a moto de um rapaz, que cai e sofre um machucado na cabeça. 

O rapaz em questão é ninguém menos que meu querido Ranveer Singh, que vamos descobrir chamar-se Varun e entitular-se arqueólogo interessado nas riquezas naturais das terras do pai de Pakhi. Por ser encantador e acabar caindo nas graças do pai, ele acaba ficando como hóspede na casa senhorial com seu amigo Dev, com o objetivo de explorar os sítios arqueológicos próximos a uma espécie de templo que havia na propriedade. 

Pakhi, que não é boba nem nada, interessa-se por Varun. Ele, entretanto, não parece lhe dar muita atenção inicialmente, concentrado em seus projetos. Ela tenta diferentes aproximações e acaba conseguindo quando, após vê-lo observar uma tela em branco numa noite, diz ao pai que quer aprender a pintar e que Varun é um excelente pintor. Ele, para agradar ao dono da casa, vê-se atrelado ao compromisso de dar aulas a ela. Descobrimos que ele é péssimo com a pintura, que Sonakshi Sinha é canhota e na verdade quem detém o talento do pincel é ela, logo torna-se a professora nas aulas.  
A história da tela em branco, aliás, é bem bonita. Dá um significado ao filme posteriormente. Varun
sempre carrega consigo aonde quer que vá a tela em branco e o cavalete. Monta-os e passa horas a observá-los. Ele sempre diz que espera o momento em que irá pintar sua obra-prima, que será tão bela quanto inesquecível. E então guarda tudo novamente, à espera.

Eu simplesmente amei essa cena,
é de uma doçura sem fim.
Já dá pra imaginar que dessas aulas os dois se apaixonam. Ela, de corpo e alma. Ele, contido. Não cede. E eu me perguntei por quê. Na minha visão, era como se ele até tivesse um interesse por ela, não sendo totalmente indiferente, mas que isso não faria a menor diferença, porque algo o mantinha preso. Menina Sonakshi ganhou o prêmio de “iniciativa do ano” na cena em que chega o botando contra a parede no canteiro arqueológico: e aí, Ranveer, você me quer ou não?

De qualquer forma, notamos desde o começo que algo cheira mal em relação a Varun e Dev. Trocas de olhares significativas, a relutância de Varun em envolver-se com Pakhi mesmo que fique claro que ele quer que isso aconteça. Um tio misterioso que impede que eles sigam suas vidas normalmente... 

Não quero dar spoilers, então não o farei. É o máximo que posso contar sobre o filme sem que eu estrague alguma coisa. 

Não, ela não está morta, só
queria assustar um pouco vocês com
a imagem.
A questão é: algo ali me impactou. Não sou uma pessoa poética, como vocês bem sabem (post sobre Ram-Leela virá em breve, quentinho e cheio de bully), mas ele me trouxe uma poesia calada ao coração. Creio que pequenas metáforas, como a do pássaro, ou então a da tela em branco na vida de Varun, foram despertando em mim a beleza de tudo que poderia ocorrer. 

E o final foi impactante. Se fosse qualquer outro filme, conduzido de qualquer outra forma, eu o teria detestado. Sou muito fã da receita de bolo romântica de sempre, e Lootera foge a ela. Mas não nesta obra. Me trouxe um sorriso ao rosto e certa tristeza no coração.

A atuação de Ranveer e Sonakshi foi muito satisfatória também. Ranveer normalmente me agrada por respirar, e seu olhar sério e martirizado nesse filme - que já percebemos anteriormente que é impactante e traz à tona a característica de bom ator do jovem - é explorado ao máximo. Já Sonakshi também trouxe expressividade e leveza com seus sorrisos e posteriormente sua aparência fustigada pela vida. Foram ambos aprovados.

CABEÇA, ombros, joelho e pé.
Único parágrafo de bolly-bully do post: sério que o Ranveer tem essa voz de menininha gripada normalmente ou foi só o papel dele no filme? Tenho que rever outros filmes com ele para lembrar, mas juro que ele tinha uma voz mais interessante. Também me refrearei de comentar sobre a circunferência cefálica de Sonakshi. (Como pode, tão bonita e nascer com uma cabeça que é o dobro da cabeça do Ranveer? E não adianta. Não é o cabelo, não é o penteado, é a circunferência cefálica MESMO!)

Enfim, posso dizer que gostei do filme mais do que esperava. Que a receita dos cenários clássicos mais a filmagem séria trouxeram bons resultados. Recomendo.