sábado, 8 de setembro de 2012

Novo projeto!



Alguns de vocês já conhecem o tumblr, e mais alguns também conhecem o tumblr ‘Como eu me sinto quando...’. Carol, minha parceira do crime, e eu, como gostamos muito dessa página, tivemos a ideia de criar a nossa versão: Como um bollywoodiano se sente quando...! 

Vocês podem acessar nosso mais novo tumblr clicando aqui.

Deem uma olhadinha na página, compartilhem e, o mais importante, nos ajudem com ideias de sentimentos bollywoodianos! ;)

Tchauzinho musical da Kajol pra vocês!

domingo, 2 de setembro de 2012

Fanaáticos




Faz algum tempo, como todos da comunidade de fãs do cinema indiano sabemos, foi anunciado que o filme Fanaa estaria disponível em cinemas de todo o Brasil. E no dia 24 finalmente houve a estreia. Eu e mais algumas amigas e fãs combinamos - mesmo que eu e Carol, por exemplo, já tivéssemos assistido ao filme ― de ir marcar presença numa sessão. Como não tivemos tempo de ir no dia 24 em si, tentamos no dia 25, num dos cinemas da UCI. Infelizmente, com toda a confusão mais que esperada que rondaria a primeira exibição de um filme indiano oficialmente no Brasil, não conseguimos nesse dia tampouco e fomos embora um tanto frustrados...

Por sorte do destino, Carol nos inscreveu a uma promoção no site da Bollywood Filmes, dona da iniciativa de trazer Fanaa para o Brasil, para ganharmos ingressos para o filme, e adivinha só? Ganhamos! O que significa que estávamos nós lá, no último dia de filme no cinema, indo assistir, felizes da vida. E nesse cinema em questão do Recreio Shopping havia um cartaz com o filme, do qual tiramos uma foto, nos emocionando ainda mais.

Sei que se for tratar da questão que rondou toda essa exibição do filme nos cinemas daqui ficarei horas e horas digitando e não chegarei a lugar nenhum. A despeito da desorganização dos cinemas, pouco tempo de filme em cartaz, ter sido retirado antes do tempo em algumas cidades por receio de pouca bilheteria, atendentes pronunciando “Fãna”, salas com pouquíssimas pessoas por falta de divulgação, músicas cortadas do filme... bem, independente de todos esses fatores, fato é que a iniciativa de trazer um filme indiano para nosso cinema é linda. Também independente do filme escolhido, já é um passo e tanto para aqueles fãs que sonham para que um dia haja uma estreia bollywoodiana em cartaz por aí. 

É claro que todos nós que já assistimos ao filme e conhecemos títulos ilustres como 3 Idiots, My Name Is Khan, Tare Zameen Par, dentre outros, nos perguntamos: por que Fanaa? O que este filme em especial teria para que a Bollywood Filmes o trouxesse em primeiro lugar para cá? Longe de mim questionar processos burocráticos que com certeza a equipe deve ter enfrentado ― afinal, todas essas questões provavelmente custam um dinheiro, e não foi do meu que nasceu a iniciativa ―, neste post me proponho a analisar o filme. 

AVISO: Se você ainda não assistiu a Fanaa e não quer saber nada além de que a Kajol é uma moça cega e se apaixona pelo Aamir Khan, não prossiga. Rechearei o post de spoilers porque estou sentindo que tudo ficaria muito incompleto sem isso.

Seduz, Aamir!
Começarei do começo e do mais clichê possível a se dizer sobre o filme: Kajol vive Zooni, moça cega crescida na aba dos pais protetores (Kirron Kher e um fofo Rishi Kapoor), que decide viajar a Nova Délhi para dançar ou seja lá o que for ― e possivelmente encontrar o amor de sua vida, possibilidade cogitada por seus pais ― e lá conhece Aamir Khan, que vive Rehan, um homem misterioso e, aos olhos dela, completamente sedutor. 

Já temos um detalhe pelo qual começar: completamente sedutor. Para mim, um homem que fica a cada dois segundos recitando um trecho poético diferente nada mais é do que um tremendo sentimentaloide chato. Se bem que nesse caso nem sentimentaloide pode ser, porque desde cedo fica claro que Rehan é um canastrão sedutor e certamente vivido. Inclusive numa das cenas em que os dois saem para jantar eles encontram uma ex-namorada encarnada pela Lara Dutta, e lembro de ter comentado que trocaria a Kajol por ela ― injustamente, é claro.

No filme exibido aqui no Brasil foram cortadas a maior parte das músicas, aquelas que pudessem ser irrelevantes para a progressão do filme; ou seja, se der pra entender o que acontece sem aquele item number, que fiquemos sem ele. Mas juro que ainda estou tentando entender por que não cortaram Chand Sifarish, nessa conjuntura. Não que eu tenha me sentido nem um pouco mal de ter assistido em um telão e com som altíssimo (põe alto nisso, até demais!) Aamir dançando, mexendo os ombrinhos e animando a galera... só que, se é assim, por que não deixar Des Rangila (jamais me conformarei com isso), que é mil vezes mais encantador?

Enfim. Sem questionar os cortes, a história prossegue, o romance prossegue. Aquele cenário do casal apaixonado e com eventuais problemas, já que, aparentemente, Rehan tinha um sério problema com compromissos; segundo ele, “cada mulher era como uma cidade: você visita, mas um dia também vai embora”. Mesmo com essa declaração extremamente ridícula, Kajol segue apaixonada e recitando poesias para mostrar a ele que o amor é inabalável. Pouco antes do grupo de dança com o qual ela estava ir embora da cidade, os dois vivem uma noite de amor (pobre Dekho Na, cortada impiedosamente) e, no momento em que o trem está partindo com uma Zooni inconsolável, surge Rehan e a busca, levando-a embora, bem ao estilo “le jayenge”. 
Não teve...

Zooni então se submete a um exame de vista na cidade grande e descobre que, com a operação certa, tem grande possibilidade de voltar a enxergar. Liga para os pais, feliz, dizendo que encontrou o amor de sua vida e que irão se casar e que vai operar e tudo o mais. No dia da operação, os pais chegariam à cidade e Rehan iria buscá-los na estação. Só que, surpresa!, ocorre um atentado terrorista, do qual aparentemente o pobre homem foi uma das vítimas. Por isso, mal recuperando sua visão ― miraculosamente sem nenhum período de reabilitação ―, Zooni descobre que seu amado morreu. E se sente eternamente culpada por tê-lo mandado buscar os pais e, por consequência, ter morrido.

Então o filme muda da água para o vinho. Foca-se no atentado terrorista e nas forças policiais que estão atrás da organização por trás disso. Chega a personagem forte (estranho pingo de feminismo) de Tabu como policial investigadora da inteligência ou algo assim, dizendo que o terrorista por trás do ataque é alguém diferente, alguém muito inteligente, alguém sinistro, boladão. E vem a cena de um homem todo de preto caminhando com a pose de “sou o cara” que, adivinha só!, é o nosso caro Aamir. Aamir, que para numa varanda, tira do bolso uma foto de Zooni e diz: “Meu único erro foi ter me apaixonado por você”, rasga a foto dramaticamente e chega a nossa querida intermission

Na segunda parte do filme, Aamir acaba se ferindo numa de suas missões atrás de um detonador que destruiria metade da Índia e vai parar numa remota casa no meio da neve. Bate à porta e quem resolve abrir? Kajol. E, naquele momento, ela grita “REEEEHAAAAAAAAN” aos quatro ventos e surge um menininho lindinho. Seu filho. E Aamir, surpreso, ferido e em choque, desmaia. 

Daí pra frente ele se mantém hóspede na casa dela sem que Zooni saiba que aquele homem era o amor de sua vida... Até que ela descobre, e por aí vai... Tudo se encaminhando para um final bem dramático. Da primeira vez que assisti ao filme, achei-o extremamente desnecessário. Dessa vez, no entanto, vi algum sentido em tudo e consegui me emocionar ― mesmo assim, não muito.

A cena mais genial do filme, sem dúvidas, é quando Rishi Kapoor cai de um penhasco e a câmera o filma gritando para Rehan, em queda livre, apontando para a tela, e aparece morto boiando por baixo do gelo de um desses lagos congelados. Nem observei se abaixo do penhasco havia um rio ou coisa do tipo, alguém notou?

É, não tinha um rio.

Uma coisa curiosa e engraçada a respeito da legenda do cinema: o nome personagem de Jolly Singh (“jolly” que, segundo o google tradutor, significa alegre, jovial, divertido) é traduzido como Fabuloso de Souza, algo que fez com que eu e Carol ríssemos a valer. De fato, faz algum sentido, mas o hilário do filme não está aí: em alguma parte do filme, o nome simplesmente muda para Fabuloso da Silva. Nesse momento rimos mais ainda e cogitamos se Zooni não se tornaria Zulma e Rehan, Renan, quem sabe. 

E a conclusão que chego a respeito do porquê de este filme ter sido o escolhido é que continua sem haver um porquê. Fanaa tem músicas que dão conta de um recado bollywoodiano... que foram cortadas. Emociona, mas demora pelo menos duas horas pra que isso ocorra. Então, de todas as opções possíveis, por que Fanaa foi o escolhido é um mistério. Mais uma vez, longe de mim questionar, certo? Só sigo na esperança de que haja um futuro para os filmes indianos no Brasil e que mais filmes sejam trazidos ao nosso cinema.