terça-feira, 8 de março de 2016

Semana do Poder Feminino Indiano - Mardaani


Esta é a Segunda Semana do Poder Feminino Indiano  nos blogs de cinema indiano da rede Challo. A semana ocorre concomitantemente à semana da mulher, do Dia Internacional da Mulher, e se propõe, como o nome bem diz, a trazer o foco da nossa semana exclusivamente à mulher indiana e sua importância no cinema, bem como na sociedade. 

Bollywood não é a indústria mais prolífica em matéria de feminismo e conscientização das mulheres. Definitivamente não. Trata-se de uma indústria que valoriza muitas vezes aparência antes de talento e despreza pessoas — principalmente, especialmente, mulheres — que saiam de seu padrão ideal de corpo, peso e até mesmo cor de pele. Entretanto, desde a última Semana do Poder Feminino Indiano (em 2013), pudemos perceber uma grata mudança no cenário da mulher em Bollywood. Se antes era difícil encontrar algum filme com protagonismo feminino que não fosse voltado à visão idealista da mulher como objeto romântico ou embelezador de ambiente, na organização desta semana notamos um aumento considerável de filme protagonizados por mulheres em vários aspectos e quebra de padrões. 

O que isso, realmente, significa para a Índia? Até que ponto a mudança da imagem da mulher indiana nos filmes afetará a conduta que as cidadãs têm em seu dia a dia? Bem, a resposta para isso não sabemos ainda, mas já prenunciamos boas coisas diante da perspectiva. 

Para representar esta semana tão importante para nós da blogosfera Challo, escolhi falar sobre o filme Mardaani, de 2014, estrelado por Rani Mukerji. 

Mardaani conta a história do ponto de vista de Shivani Shivaji Roy, uma policial de Mumbai que se vê descobrindo o nefasto mundo do sequestro e prostituição infantil, após o misterioso sumiço de Pyaari, a ada amiguinha de sua sobrinha. 

A história é envolvente. Confesso que no começo não dei muito pelo filme ao ver a Rani no papel de mulher porradeira badass, mas não passa nem meia hora e você já se vê entretido e curioso por mais. Rani me surpreendeu mais uma vez — ela não cansa de fazer isso — pela excelente atriz que é. De doce mocinha a policial obstinada, ela nos convence onde quer que seja. Meus olhos não deixavam de brilhar pelo desempenho maravilhoso desta mulher incrível no filme. O rapazinho que faz o principal vilão também é excelente. Não o conhecia, seu nome é Tahir Raj Bhasin, mas estou impressionada. 

Além de tudo, é uma gracinha. 
Bem, por ser nossa Semana do Poder Feminino, trarei o enfoque do post a questões concernentes a nós, mulheres. 

Mardaani é um filme diferente, ousado e envolvente, porém não convence. E não convence por um motivo: aquilo não é real. Shivani Shivaji Roy não é uma mulher que exista no universo indiano, extremamente machista e conservador. Ela é a mulher que deveria existir, ela é a personificação do que gostaríamos de ver, do que esperamos ver, mas ela... não existe. E por que não existe? Porque a sociedade não quer. Porque a sociedade não deixa. 

Inclusive, o nome do filme deixa isso muito claro. Mardaani, traduzindo ao pé da letra, seria "a mulher macho", a mulher masculinizada, a durona. O próprio nome do filme põe em questão que o papel que Shivani desempenha é o papel do homem na sociedade indiana. É o papel que geralmente vemos com mocinhos dishoom-dishoom como Salman Khan e Ajay Devgn. E digo, é maravilhoso poder ver uma mulher também desempenhando esse papel. A cada cena de ação da Rani, eu vibrava; a cada ameaça que ela fazia ao vilão, eu ficava satisfeita. 

Arrasa, bee! 
Outra coisa que com toda a certeza foi a intenção do filme e mexe com todos a que assistem é a questão da prostituição infantil. É um tema doloroso e estranhamente abafado na vida real. Mas extremamente comum. Meninas são sequestradas frequentemente — e isso não só na Índia — para terminarem em  antros de prostituição e escravização de pessoas, e nada, nada é feito a respeito disso, porque há pessoas maiores envolvidas. A pedofilia é algo tão inerente à sociedade quanto o machismo. E isso já faz parte de toda uma cultura de estupro. Poderia passar anos falando sobre isso, mas tentarei resumir num pensamento básico: o homem é ensinado a abusar, desde sempre, da mulher. As mulheres são vistas como objetos e seres controláveis. Portanto, numa esfera totalmente criminosa, a pedofilia e a prostituição são somente reprodução da cultura de abuso que é inserida no dia a dia dos homens. Exatamente por isso os maiores pedófilos são do sexo masculino, e as maiores vítimas são meninas. O filme retrata a prostituição infantil na Índia, mas por que não podemos trazer a reflexão até mesmo a nosso cotidiano? Por que é normal que um homem feito namore alguém 20 anos mais jovem? Por que o homem idealiza uma mulher feminilizada, frágil... infantilizada? Fica a reflexão. Vai além de uma doença. É uma questão que cerne diretamente à cultura.


Por fim, uma mulher fazendo o papel que geralmente é dos homens indianos, existe algo mais digno de se admirar neste mundo? A verdade é que adoro ver tais coisas representadas em tela. Sou da opinião de que uma das formas de se vencer é pelo cansaço; sendo a sociedade indiana tão influenciada por seus filmes, que venha mais e mais empoderamento as mulheres para que aos poucos isso penetre na mentalidade indiana comum. Para que isso possa se tornar realidade. 

E assim me despeço da minha contribuição à  Semana do Poder Feminino Indiano, que acaba sendo também um pouco de poder feminino a todas nós, com a feliz conclusão de que a mulher está crescendo no cinema indiano e a esperança de que isso signifique que mudanças palpáveis virão no cenário da mulher em um país tão conservador. 

Feliz Dia Internacional da Mulher! 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Vida de legender - Tipos de legender



Estava ontem fazendo reflexões muito divertidas sobre legendas do cinema indiano, então resolvi compartilhá-las com vocês.

Há alguns anos estou nessa vida de legender de filmes indianos, e, como já mencionei por aqui, nem tudo é tão fácil quanto parece. Pegamos legendas que nem sempre estão bem traduzidas ou bem organizadas e fazemos nosso melhor para traduzi-las de forma, no mínimo, compreensível para que vocês possam apreciar como nós um bom filme.

Com isso, parei para pensar que existem vários tipos de legenders estrangeiros. Sim, esses mesmos que tão carinhosamente fazem a legenda de um filme de 3 horas de duração e traduzem do hindi, tâmil, telugu, enfim, de seu idioma nativo para o inglês.

Em minha experiência, percebi que eles se dividem em algumas categorias:

Perfeccionista
Sua legenda é impecável. Adoro quando pego legendas de perfeccionistas. São daquelas que, mesmo se eu jogasse tudo no Google Tradutor, teria pouco trabalho para corrigir. É praticamente copiar e colar num idioma estrangeiro.

Preguiçoso.
Ele simplesmente coloca o que é essencial. E às vezes sabemos que o essencial é muito pouco. A legenda fica cheia de buracos e trechos faltando. Isso quando eles não resolvem legendar tudo e deixar só as músicas de fora. Nossa, os preguiçosos adoram deixar as músicas de fora ou colocar só a primeira frase de cada verso da canção. Resultando em mais trabalho para nós, que corremos atrás de tapar esses buracos. Felizmente, para a legenda dos preguiçosos geralmente há um perfeccionista que se dispôs a fazer um trabalho melhor.

Inventor. 
Vocês sabem que eu não sei hindi. Ao menos não sei falar hindi. No entanto, depois de anos no meio, já entendo expressões básicas e uma pá de palavras. O inventor é aquele legender que eu sei que está colocando palavras na boca do personagem. Eu sei que o personagem está falando do tempo, então por que o tradutor colocou amor nessa linha? Não faz o menor sentido. E, acreditem, tem ainda aqueles que resolvem, além de serem inventores, se tornarem poetas, porque quando chega na música inventam coisas para começar a rimar a letra em inglês! Não funciona muito bem. Muitas vezes eles também não entendem certas palavras ou nomes na cena e resolvem colocar o que eles acham que está sendo dito. Nossa, uma desgraça.

Descolado.
Yo, bro, daddy-o, whatsup? Esse é cheio das gírias em inglês pra traduzir as palavras indianas. Sua legenda tem o molejo do rap — geralmente em filmes mais jovens e musicais — e pode se tornar um pé no saco para traduzir. Afinal, como eu coloco 'bitch' em português mesmo?

Bem intencionado.
A verdade é que todos os legenders são bem intencionados, no final das contas. Mas este tipo do qual falo agora é aquele que você percebe que até entende hindi muito bem — afinal, está traduzindo o filme! —, já inglês... Céus. Inglês não é seu ponto forte. Eles traduzem o filme inteiro, linha por linha, não deixam faltar uma musiquinha sequer. Mas seu inglês beira o ininteligível. Expressões ao pé da letra sem sentido, palavras que não existem no dicionário nem no Google e por aí vai. Você acaba se guiando mais pelas expressões faciais dos personagens do que na tradução desta pobre alma.

Enciclopédico.
Esse adora colocar um toque da própria cultura nas legendas para que nós possamos entender o contexto. Adora... um pouco demais. Coloca expressões na língua nativa e gasta três linhas de parênteses com a explicação sobre o termo. Gosta de explicar todas as siglas, todas as expressões originais e de tudo um pouco. É uma legenda altamente educativa, mas cansativa, devido ao fato de você ter que pausar para conseguir ler o que está entre parênteses sem perder a cena e ainda assim ficar confuso, porque esse não é o foco do filme.

Prolixo.
Ele acha que ninguém consegue fazer leitura simultânea, então quer facilitar para nós. Deixa as linhas bem longas e duradouras para que o expectador tenha tempo de compreender o que está se passando. É aquele que facilmente ultrapassa as duas linhas convencionais da legenda com diálogos que ainda virão no próximo minuto. São raros, mas existem. E confesso que fui uma deles num dos dois filmes que eu mesma fiz a legenda. Acontece.

Apressadinho.
Esse já é o oposto do prolixo.
Cada
Mergulho
É
Um
Flash
Com o apressadinho. Meu programa de edição de legendas até coloca em vermelho as linhas que têm duração menor que alguns segundos. E esse legender é campeão nesse tipo de linha curta e rápida. Aliás, ele gosta tanto de que tudo seja simultâneo que corta várias frases em duas, três, quatro, para que tudo seja entendido e ouvido no momento exato em que acontece. É uma espécie de perfeccionista auditivo, a seu modo. Pena que nem sempre consigamos acompanhá-lo.

Poluidor visual. 
Ele pode até traduzir bem, legendar bem, ser um lindo. Poderia ser um perfeccionista completo, se não fosse o fato...
...de querer colocar reticências e todo tipo de pontuação em tudo.
Cada hesitação...
...na fala será mais um sinal de pontuação para o poluidor visual. E isso cria?, como vocês podem... ver!, certo fastio na leitura de uma...
...legenda.
E o pior, geralmente eles a-do-ram fazer uso do travessão em somente uma das linhas do diálogo. Isso me...
...ENLOUQUECE!!
O poluidor visual também ama colocar palavras em caps lock para expressar a entonação exata do locutor. Ele é muito, muito literal, esse tipo de legender. Gritou, tá gritado, hesitou, tá hesitado. Resultando numa legenda cheia de coisas que iremos consertar pra que não fique cansativo para vocês como é para nós.

Basicamente, esses são os tipos de legenders que percebo no meio do cinema indiano. Que fique claro que eles quase nunca são uma coisa só: podem ser poluidores visuais e perfeccionistas, bem como preguiçosos e enciclopédicos. Cada tipo se mistura com o outro, criando legendas incríveis de serem lidas, traduzidas e até mesmo troçadas nos bastidores de todo nosso trabalho.

Saibam que, mesmo com todos esses percalços, adoramos essa história toda e fazemos tudo com muito amor e diversão. E o resultado é o máximo, não é mesmo?

E vocês, têm categorias para os legenders que conhecem?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Piku (2015)



"Crime ocorre, nada acontece, feijoada" poderia facilmente ser um nome alternativo para Piku. O que quer dizer que é um filme parado, no qual pouca coisa se passa e muito se conversa. Isso significa que o filme é ruim, então? Muito pelo contrário.

Piku é basicamente sobre um momento específico da vida da estressada Piku (Deepika Padukone), seu pai Bhaskor Banerji (Amitabh Bachchan) e familiares próximos. Dentre as pequenas reviravoltas do filme, o pai decide ir de Délhi até Kolkata de carro, e nisto entra o motorista Rana Choudhary, interpretado por Irrfan Khan, outro ser maravilhoso.

"Muito gás e constipação. Que tipo de mensagem é essa?"

Este é um filme que tratará de prisão de ventre de uma forma que você nunca viu antes. E tenho certeza de que o personagem de Amitabh irá lembrar a qualquer um pelo menos uma pessoa com tendência hipocondríaca em seu círculo de convivência. O roteiro é leve e divertido, com detalhes deveras inusitados. Demora-se a entender ao que se está assistindo exatamente, mas nem por isso nos vemos menos envolvidos.


De longe, deve ter sido um dos melhores papéis do Sênior Bachchan nos últimos anos. O sr. Bhaskor é um ser único. O fato de ser absolutamente irritante e insuportável e de mesmo assim você se apegar a ele só é mais uma prova do talento do ator que está por trás. Já Deepika fez com que eu conseguisse sentir nitidamente todo seu estresse por trás da lente: o quão sobrecarregada ela se sentia em sua vida e como foi se anuviando ao longo da jornada.


Irrfan, meu coração para você. Você é tão bom ator que até em mocinho consegue se transformar e me fazer torcer por um romance num filme que sequer trata disso. Vem cá, me dá um abraço.

Piku não é um filme convencional, não tem musiquinhas ou firulas e lida com a escatologia de uma maneira totalmente inesperada. No entanto, é conduzido com tanta maestria que se torna leve e divertido para ser visto a qualquer hora.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Highway (2015)


Veera Tripathi é uma jovem rica às vésperas do seu casamento, mas não parece muito feliz com a situação. Uma bela noite, implora a seu noivo para que a leve a um passeio secreto, e ele, sob protestos, cede. Mas, como nada é perfeito, ela repentinamente vai parar no meio de um fogo cruzado de assaltantes de estrada e acaba sendo sequestrada pela gangue.

Já no seio da gangue, quando descobrem quem ela é, e filha de quem, é consenso que o melhor a fazer seja libertá-la. Mahabir Bhati, porém, sem maior desejo além do de enfrentar a própria sorte - ou revés -, resolve que a manterá cativa e tentará o melhor resgate que puder conseguir disso. Como ele mesmo diz, não há muito o que perder em sua vida de qualquer forma.

"Amor da minha vida, daqui até a eternidade..."

Parafraseando a Carol: "Tive medo de não acontecer a mesma identificação [que ocorre em outros filmes do mesmo diretor] quando li a sinopse de Highway. Parecia a história de alguém se descobrindo enquanto desenvolvia uma horrorosa síndrome de Estocolmo". Entretanto, Highway passa longe dessa impressão.

Logo de começo nota-se que Veera esconde algo por trás dos panos. Ela facilmente enlouquece, se rebela e se enquadra ao bando. Parece muito disposta a deixar para trás a vida que levava antes, uma vida de aparente conforto, luxo e riqueza. E por quê? Ao mesmo tempo, tenta aproximar-se sempre de Mahabir, que a rejeita veementemente todas as vezes, muito consciente de quem ele é e qual seu lugar na sociedade - lugar esse que sempre foi e sempre será muito distante do dela.

Nunca foi tão divertido ser sequestrada.
Mahabir é o exato retrato do anti-herói que, em situações adversas, poderia facilmente ser o mocinho. É um personagem completo e complexo, e eu, no auge do meu penhasco por Randeep, não posso deixar de admirar a forma como foi interpretado. Seus sorrisos chegaram bem fundo na minha alma, e sua ira doía também em mim. Já Veera é uma jovem desequilibrada que, no entanto, durante essa jornada parece mais próxima da própria harmonia do que jamais esteve antes. Quem esperaria que a jovem patricinha de Student of the Year chegaria tão longe e conseguiria levar a cabo com maestria uma personagem tão multifacetada quanto Veera? Bem, Alia conseguiu.

Como mãe, o filme mexeu comigo: que tipo de sociedade quero deixar para meus filhos? Que tipo de mudanças quero ver e por quais situações não desejo que eles passem? Quais impactos comportamentais tão arraigados à sociedade podem ser extremamente negativos pelo resto de nossas vidas que nem ao menos percebamos? O filme toca certeiro no machismo e na cultura de estupro do dia a dia que muitas vezes é silenciada, neutralizada e tida como normal. E eu, enquanto mãe, realmente senti mais a fundo essa questão que já é forte, especialmente pela forma como é posta no filme. É de uma sensibilidade que jamais se esperaria de um filme indiano.


A trilha sonora é pouco notável, mas condizente com o filme. É leve, ecreio que por isso cumpra seu papel. Impossível ter um musical esplêndido com tantas coisas para se refletir no filme. Seria informação demais.

As legendas também estavam excelentes! Às vezes é difícil encontrar legendas tão boas em português para muitos filmes, por isso assisto a diversos em inglês, mas a de Highway, feita pela Bela Xavier, está de parabéns.

Portanto, o que posso dizer é: deixe seus dias leves para ver filmes leves. Highway é um filme que o fará pensar, e não é pouco. Foi capaz de me deixar triste e saudosa no final. Mas é maravilhoso do começo ao fim e posso dizer que já está na lista dos meus favoritos.

Lágrimas, muitas lágrimas.
Mahabir, te amo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dil Dhadakne Do (2015)


Mal haviam saído os primeiros trailers de divulgação de Dil Dhadakne Do, e eu já sabia que queria intensamente assisti-lo. Além de contar com o novo amor da minha vida, Ranveer Singh, teria um elenco de peso que mexia com meu coração.

Além de assisti-lo, tive também a chance de legendá-lo, e sinceramente o processo de legendar foi tão prazeroso, uma legenda tão tranquila e bem-feita, que as quase três mil linhas correram rápidas e fáceis, e em uma semana terminei de traduzir e corrigir.

Dil Dhadakne Do (tradução: Deixe o Coração Bater) é todo sobre os Mehras, uma família da alta sociedade que, por trás das aparências, vive um cenário de caos iminente. O casamento dos pais, Kamal e Neelam, está morto há muito tempo; Kabir, o filho mais novo, não deseja herda a companhia do pai e não pode seguir seus sonhos; e Ayesha, a mais velha, vive um relacionamento infeliz com seu marido retrógrado e machista. E a confusão só tende a piorar quando todos partem para um cruzeiro em comemoração aos 30 anos de casamento de Kamal e Neelam, que é o local onde toda a história é centrada.



Um ponto alto do filme, para mim, é a narração de Pluto, o cachorro de Kabir, que também se considera membro da família e enxerga os humanos como seres irracionais. Com suas tiradas engraçadas e reflexões profundas porém irreverentes da sociedade, ele consegue provar seu ponto mais de uma vez. É de se gostar ainda mais ao saber que o simpático animal é dublado por ninguém menos que Aamir Khan.

Cada ator parecia bem enquadrado em seu papel. Esse filme teve uma comunicação através do olhar entre os membros dessa família como não vi em quase lugar nenhum em Bollywood. Mas confesso que a atuação da Priyanka, dentre o resto, foi somente mediana: ainda se sente muito da atriz por trás da personagem e pouco da personagem em si. Farhan Akhtar foi outro que não me convenceu, simplesmente. Seja por não ter sido real enfoque do filme, seja porque ele tem falado tantas asneiras que minha simpatia morreu... seja como for, não superou expectativas. E confesso que foi engraçado e inusitado ver Rahul Bose no papel de marido retrógrado e machista. Quem não conhece até pensa.

 

 

Alguém já percebeu que a sina da Shefali Shah é estar sempre fazendo papéis de mulheres mais velhas do que ela realmente é? Observei isso também em Mohabbatein (de 2001), no qual ela, aos 25 anos, fazia papel de mãe de família! Em Dil Dhadakne Do, aos 43 anos, ela nunca teria idade para ser mãe de Priyanka, de 30, e Ranveer, de 28. Bem, de qualquer maneira, seu ar de classe caiu como uma luva para Neelam, maravilhosa.

A trilha sonora... Ah, a trilha sonora... Maravilhosa. Shankar-Ehsaan-Loy acertaram o dedo no sucesso, mais uma vez. Gallan Goodiyan, a queridinha de muitos, é minha preferida. Mas Pehli Baar, Phir Bhi Yeh Zindagi e Girls Like To Swing não ficam para trás em nada. Já Dil Dhadakne Do tem um ritmo contagiante, se conseguirmos ignorar o fato de que Priyanka e Farhan não nasceram para brilhar ao microfone.

   
Ram dançar!

Tá permitido me seduzir sim,
obrigada por perguntar.

Como esperado de Zoya Akhtar, diretora também de Zindagi Na Milegi Dobara (2011), o clima é de sessão da tarde. A história é receita de bolo, com algumas pequenas surpresas aqui e ali. A questão principal do filme, no entanto, é como ele lida com as relações interfamiliares dos Mehras e com os sentimentos individuais de cada um, e isso o faz com leveza e maestria. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Adeus, 2015!


2015 está acabando (GRAÇAS A DEUS!) e eu não poderia deixar de fazer um leve post em homenagem a isso. Vocês não têm a menor ideia de como estou feliz por este ano estar acabando! 

Já me desculpo por antecedência porque estou sem computador e não pude criar meus próprios gifs para essa pequena retrospectiva, então usei os do tumblr mesmo (obrigada, de nada, tumblr).

Para começar, a boa notícia do final do ano é: hoje é meu aniversário!


22 anos de muita bollywoodianice, belezura e loucuras à parte (ou não).

O que falar sobre 2015? Como foi 2015?

Fraldas, muitas noites insones...

Não, não, Isa! Estamos falando de cinema indiano aqui.

Bem, 2015 foi um ano e tanto.

Ano de raiva e tristezas...


Claramente eu em diversos momentos deste ano.

De notícias bombásticas...


De brigas intolerantes e pessoas saindo impunes...




De grandes perdas...


Sentiremos sua falta. ♥

De muito filme bom!
  
                                               



Não é de 2015, mas quero deixar o gif salvo. #dessas

Do crescimento daqueles artistas de que tanto gostamos...


Cês já sabem de quem eu tô falando.

E do reaparecimento de outros que também adoramos...


DE REPENTE, Shahrukh!

Mas preciso ressaltar: estou feliz que esteja acabando.



E o que desejo para 2016?

Muita, mas muita diversão, babados e confusões bollywoodísticas! Quero mais filmes divertidos, quero mais música boa, quero mais amor em Bollywood! Vem, 2016, vem brilhar aqui fora!

Agora é com você, 2016.


Venha, 2016, que quero lhe usar.

Feliz Ano Novo para todos que acompanham o Mania de Bolly e...

Nos vemos em 2016! 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Vida de legender - Rang Rasiya


Quando vocês pegam uma legenda bonita e cheirosa num filme para assistir, mal sabem a história tortuosa que pode estar por trás dela. 

Por isso resolvi trazer para vocês mais um quadro para meu querido blog: o Vida de Legender! Contarei para vocês como funciona um pouco da nossa história com as traduções, edições etc. O filme da vez é Rang Rasiya, dirigido por Ketan Mehta e estrelando Randeep Hooda e Nandana Sen, sobre o qual falei nesse post aqui.

Só posso dizer que eu sofri, pessoal. O ser que fez a legenda original - ao qual agradeço imensamente por um lado, pois sem ele eu seria incapaz de assistir ao filme -, apesar da boa vontade de traduzir e legendar, errou nomes o tempo inteiro e traduziu algumas frases muito mal. Não falo Hindi, vocês sabem, mas já são anos acompanhando essa vida, então tenho noção de expressões e sei que algumas estavam erradas. E pior, sei que ele não errou por não saber Hindi (o que é um tanto óbvio, até), mas sim por não saber inglês! Isso é bem comum no mundo das legendas, aliás. O tradutor peca nos seus conhecimentos em inglês. Enfim, mais trabalho para mim.

Suspeito também que o tradutor também fez uma sinopse sobre o filme e a colocou na internet. Minha amiga Jo encontrou-a no imdb e a traduziu para colocar como resumo no Cine Challo. Sinceramente, era de uma misoginia tão grande que queria bater na cara de um! Falava que Sugandha havia destruído a inspiração de Varma na história do filme (!) e o levou a pintar imagens sórdidas em seus quadros (!). Certo, mas o que, dentre isso tudo, me faz pensar que tenha sido o mesmo tradutor que escreveu tamanhos disparates? A pessoa também escrevia o nome do pintor como Raja Ravi Verma, como encontrei na legenda. Quem mais faria isso, se a própria Wikipedia coloca seu nome como Varma? Ah, indianos...

Quanto à tradução do nome do filme, confesso que foi uma das minhas maiores dificuldades. Na verdade, foi um dos meus maiores furos de tradução até hoje. Rang Rasiya, pela Wikipedia, significa Cores da Paixão. Porém, eu acharia muito esquisito, senão brega, deixar "cores da paixããão" ecoando a cada verso de música tocado no filme - e acreditem, toca muito. Geralmente eu entoo em voz alta o que estou traduzindo no ritmo da música condizente para ver se fica decente, e - façam vocês mesmos com a música-tema do filme - "cores da paixão" fica pior que novela mexicana de quinta categoria. 

Numa busca mais a fundo, encontrei que rang significa cor e rasiya é uma palavra para denominar homem de sentimentos fortes, apaixonado, sedento por prazer ou até mesmo um devasso. Não sei se comentei, mas em Mangal Pandey existe uma música chamada Rasiya, cuja tradução foi algo como "canalha". Pois bem. Como trazer isso para o português, e mais, para o tema de um filme? Apaixonado pela cor? Homem das cores? Tarado por cores? Por fim, desisti e deixei como o legender original colocou: pintor.

É... Deixa como está mesmo.

Não foi uma das minhas melhores legendas, admito, tampouco pareceu das mais adequadas, mas... é o que tem pra hoje. Espero que vocês gostem e consigam entender, porque isso é o que importa no final das contas.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Fawad Afzal Khan: quem é ele?


Sei que falei horrores sobre o pobre moço no post de Khoobsurat. Por isso preciso me retratar.

Após assistir ao filme e minha opinião ser desfavorável ao personagem, descobri que ele é um dos favoritos de uma grande amiga bollywoodiana minha, a Jo. Imediatamente pensei: mas como é possível? Que homem sem graça! Mas, para ela gostar tanto dele, eu sabia que deveria haver algo mais ali no meio.

É ou não é uma gracinha?

Eis que ela veio e me disse para assisti-lo em seu habitat natural: o mundo paquistanês das séries românticas. Então, seguindo seu conselho, mergulhei de cabeça em um dos seus trabalhos de maior sucesso, a série chamada Zindagi Gulzar Hai. 

Pude compreender de onde partia a admiração da Jo. Lá, ao contrário de Khoobsurat, ele estava natural, bonito. Possuía um charme que não encontrei nele antes. Confesso que ainda não é exatamente meu tipo, mas até eu me peguei torcendo para ele e a mocinha, que nessa série vivem uma espécie de jogo de gato e rato. A mocinha também é uma figura. Se puder aconselhá-los, assistam à série! Não é muito longa e não irão se arrepender.




Aqui está um vídeo da série para deixá-los curiosos. No site que as hospeda, o Cine Challo, ainda há Humsafar, que não tive a oportunidade de assistir, mas disseram que é tão maravilhosa quanto. Sei que muitos até já assistiram e eu devo estar atrasada no bonde.

video


Por fim, ainda bem que existe muito mais do Fawad do que Khoobsurat, não é mesmo? E ainda bem que podemos ser apresentadas ao lado Urdu da força e conhecer um pouco mais desse universo tão parecido e ao mesmo tempo tão distinto da nossa querida Bollywood.